quarta-feira, 20 de julho de 2016

MAIS "LENDAS" SOBRE REDAÇÃO

PARA SER CONSIDERADO LINHA - nunca vi nada mais surreal do que alguns professores emitirem opiniões infundadas de que, para ser considerada, a linha tem que ser escrita até o meio da mesma... Parece gozação ou chacota, mas não é! Já vi isso em vários comentários de alunos e de colegas também desavisados, que corroboram com esses pensamentos nada a ver... Para ser considerada linha escrita basta qualquer coisa escrita nela! Se tiver ao menos uma palavra, ela já conta como linha escrita! Ora bolas... A não ser que o edital ou a instrução da prova traga tal asneira, embora eu nunca tenha lido em nenhum;

TÍTULO CONTA COMO LINHA - outra drama que aparece de vez em quando nos consultórios psicanalíticos das salas de aula... Se ele nem é obrigatório, por que contaria carga d'água?;

A medida que eu for lembrando dessas maluquices, eu irei postando aqui, tentando levar um pouco de siso ao povão de meu Deus! Mas vocês podem me ajudar, lembrando as maiores topeirices que os professores têm espalhado por aí... Lembrem-me, por favor!!!

Bons estudos!


quarta-feira, 13 de julho de 2016

ORTOGRAFIA

Como se escreve com S, SS, SC, C, Ç, XC ou Z?

A seguir algumas palavras escritas com "S":

ânsia
cansar
consenso
espiar
espreitar
estender
estrangeiro
misto
ofensa
pretensioso


Escrevemos com "SS" substantivos derivados de verbos terminados em -dir/-tir/-mir/-ter/-der:

agredir - agressão
permitir - permissão
imprimir - impressão
remeter - remissão
conceder - concessão

Mais palavras com "SS":

acessível
acesso
acessório
apressar
assentar
bissetriz
cassar (anular)
compasso
endossar
fracasso
missa
obsessão
presságio
russo
sobressair
vassalo


Verbos grafados com -nd- originam palavras (substantivos e adjetivos) com "S":

ascender - ascensão/ascensor
expandir - expansão/expansivo
distender - distensão/ distensor
pretender - pretensão/ pretensioso
suspender - suspensão/ suspensório


Se o "S" estiver entre vogais terá som de "Z". 

Emprega-se "S" depois de ditongo:

aplauso
coisa
repouso

Emprega-se "S" nos substantivos e adjetivos derivados de substantivos:

campo - camponês/ camponesa
Japão - japonês/ japonesa

O sufixo "OSO"/"OSA" ocorre em adjetivos que indicam abundância:

gás - gasoso
gosto - gostoso/gostosa
cheiro - cheiroso
dengo - dengoso
horror - horroroso

Emprega-se "S" nas formas dos verbos "PÔR" e "QUERER"

pôr - pus, puseste, pusera
querer - quis, quiseste, quiser, quisera

A terminação -isar ocorre nos verbos cognatos de palavras que contêm "S" na sílaba final:

análise - analisar
pesquisa - pesquisar
paralisia - paralisar

A terminação -ês(a)/-isa indicam origem/ títulos de nobreza/ profissão:

francês/ francesa
marquês/ marquesa
camponês/ camponesa

As palavras escritas com "Ç" são de origem tupi:

açaí
Turiaçu
Paiçandu

Emprega-se "Ç" ou "C" depois de ditongo:

beiço
touça
coice
foice
touceira
toucinho

Outras palavras escritas com "Ç" ou "C":

exceção
açucena
açude
adereço
alça
alcançar
almaço
apreçar (colocar preço)
baço
caçar
caçula
camurça
cansaço
maciço
miçanga
torção
acessível
acesso
acessório
decente
disfarce
facínora
incentivo
obcecar
vacilar

Verbos grafados com -ter originam substantivos grafados com - tenção:

ater - atenção
abster - abstenção
conter - contenção
deter - detenção
reter - retenção
intenção

A seguir palavras que escrevemos com "SC":


abscesso
abscissa
adolescente/adolescência
arborescer
ascendente
ascensão
acréscimo
condescendente
consciência
crescer
descender/descendente
descer
discente
discernir
disciplina
discípulo
fascículo
fascinar
florescer
intumescer (inchar)
imprescindível
irascível
isósceles
juvenescer
miscigenação
nascer
obsceno
oscilar
piscina
plebiscito
prescindir
rejuvenescer
reminiscência
rescisão
ressuscitar
suscitar/suscetível
transcender
scera

A seguir palavras que escrevemos com "XC":

exceção
exceder
excelente
excepcional
excesso
exceto
excetuar
excipiente
excita

Bons estudos!

sexta-feira, 8 de julho de 2016

ALGUMAS "LENDAS" SOBRE REDAÇÃO!

TÍTULO = só é obrigatório nas provas quando está nas instruções ou quando, no lugar do tema, for dado o título no enunciado da questão. Nesses dois casos o título passa a ser obrigatório;

LINHAS = Pular ou não a linha do título para o texto? Nenhum livro (des)aconselha não pular ou pular, o que faz com o que o assunto fique opcional. No edital do Enem 2016, nenhuma palavra a respeito se pode pular linha do título para o início do primeiro parágrafo;

TAMANHO DOS PARÁGRAFOS = há professores desavisados disseminando a ideia de que se tem que fazer parágrafos de 05 linhas ou tantas linhas específicas. Isso é um absurdo! O texto tem que ser um conjunto harmonioso, não importa o tamanho dos parágrafos... Harmonia, nem muito, nem pouco!;

RASURAS = o padrão adotado é o do traço no meio da palavra errada e escrevendo a correta em seguida. Utilize o rascunho para não cometer esse erro, pois, uma vez cometido o engano, e só percebido depois, ficará esteticamente feio colocar a palavra correta em cima ou ao lado.


Por hoje é só! Depois viremos aqui desmistificar mais incongruências desses colegas que caem de paraquedas na profissão!

segunda-feira, 23 de maio de 2016

OBSERVAÇÃO SOBRE OS TEMAS DE REDAÇÃO PARA O ENEM 2016

Internautas,

Atentem-se para o fato de que o Ministério da Educação mudou de diretriz pedagógica e ideológica com o atual Governo Interino (Golpista?). Dessa forma, a prova do Enem que geralmente é feita entre maio de julho, para dar tempo de rodar na gráfica, poderá sofrer mudanças também, tanto da data para ser confeccionada, como de postura temática adotada pelo atual (Golpista?) Ministro da Educação, Mendonça Filho (DEM).

Lembramos igualmente que quando do processo final do Enem, com a aplicação das provas nos prazos divulgados em novembro, toda a situação de impedimento ou não da Presidente Dilma Rousseff deve ter sido votado pelo Senado.

Destarte, temas como "Democracia", "Mobilização Popular", "Participação na vida política", "Fim da corrupção" etc., tornam-se fortes para a conjuntura hodierna do Brasil, pertinente para o (des?) Governo Temer avaliar o que pensam os jovens e os concurseiros em geral.


SUCESSO!

terça-feira, 10 de maio de 2016

AH, QUE TÍTULO EU DOU?

Título na redação: cinco dicas que podem resolver suas dúvidas

Ana Lourenço | 23/02/2015
Imagine que você está em uma livraria. Na hora de procurar um livro para comprar, quais fatores você leva em conta? A capa e o nome com certeza fazem toda a diferença na hora de julgar se aquele livro é ou não bom, ou se te deu vontade de ler. Com a redação também é assim: o título é o responsável por chamar a atenção do leitor e resumir o assunto do qual ele trata.
Apesar de importante, algumas provas de redação não pedem título – caso do Enem, em que ele é opcional. Outras, como a Fuvest, exigem o título, mas nesses casos a exigência é sempre colocada na proposta (não precisa sair decorando quais provas pedem e quais não pedem).
titulo-escrevendo
Obrigatório ou não, o título pode ser o diferencial no seu texto. Se você souber fazê-lo e ficar bem colocado no texto, é recomendável o uso, mesmo que ele não seja exigido pela prova.
Veja cinco dicas sobre o que é importante saber sobre esse recurso:
1) O título é a síntese do tema
Se o nome de um livro ou de um filme deve entregar um pouco do que será tratado naquela obra, com o título da redação é a mesma coisa: ele deve sintetizar o que o leitor vai encontrar ao longo do texto. Além disso, um título bem trabalhado pode fazer o corretor notar que você entendeu perfeitamente a proposta. Por isso, use a simplicidade e faça um título em que o tema fique claro.
Dica: Algumas pessoas preferem fazer o título antes do texto, para servir como guia. Mas nem sempre isso dá certo: pode ser que, ao longo do texto, você acabe mudando o foco e o título perca um pouco do sentido. Para evitar que isso aconteça, uma sugestão é fazer o título sempre depois que o texto estiver pronto. Assim, você pode se basear nele para definir exatamente qual frase encaixa mais com o que você escreveu.
2) Nada de frases longas
Primeira regra para fazer um bom título: ele deve ser curto! Procure usar no mínimo três palavras, e evite que o tamanho da frase seja maior do que metade da linha.
3) O verbo é opcional
O título não precisa ser, necessariamente, uma oração completa com sujeito e predicado, como “O desmatamento é o pior crime contra a natureza”. Pode, também, ser uma expressão sem verbo, como “O problema da reforma agrária”. Mas usar a expressão, apesar de resolver o problema do título longo, pode ser perigoso: é preciso que ela consiga sintetizar o tema, mesmo sem o verbo. Na dúvida, aposte no que parecer mais fácil na hora.
Lembrete: Jamais use o tema dado pela banca como título. O tema é o assunto estipulado pela banca sobre o qual você vai escrever; o título é a frase para encabeçar o seu texto, que você mesmo deve criar. Fique atento, copiar qualquer parte da proposta de redação pode provocar a anulação do texto!
4) Aposte na sua criatividade
É importante que o título deixe claro o que você vai abordar, mas usar da criatividade pode deixá-lo muito mais interessante para a banca corretora. Nada impede que você use figuras de linguagem ou mesmo uma citação (entre aspas, sempre) no título. Mas lembre-se que a simplicidade é fundamental: tentar rebuscar demais pode dificultar o entendimento da frase.
Dica: fuja de lugares-comuns, chavões, frases prontas e gírias. Usar da criatividade é o oposto disso.
5) Ponto final, letras maiúsculas, linha em branco
– Pode usar ponto no fim da frase? O título normalmente não tem ponto, mas, se for uma oração, você pode usar o ponto final. Se for uma expressão sem verbo, não.
– Devo usar letra maiúscula em todas as palavras? Não. Escreva o título como se estivesse escrevendo uma frase normal, usando a maiúscula apenas em palavras que a exijam, como nomes próprios.
– Devo pular uma linha depois do título? Depende. Pular a linha deixa o texto esteticamente melhor – mais bonito, digamos. Mas não é obrigatório, especialmente se o limite de linhas for pequeno.
(Fonte: http://guiadoestudante.abril.com.br/blogs/redacao-enem-vestibular/2015/02/23/titulo-na-redacao-cinco-dicas-que-podem-resolver-suas-duvidas/)

sexta-feira, 6 de maio de 2016

APRENDENDO SOBRE O "QUE"

Usos da palavra "que"

Agora veremos todas as possibilidades de ocorrência da palavra  “que”. Depois desta dica, não restará dúvida quanto à classificação desse complicado vocábulo que tanta dificuldade traz aos vestibulandos e estudantes em geral. Vamos à teoria. A palavra “que” pode ser o seguinte: 
 
Substantivo: 
Quando o “que” for substantivo, terá o sentido de qualquer coisa ou alguma coisa, será modificado geralmente pelo artigo indefinido um e será sempre acentuado. 
 
Ex. Esta menina tem um quê de mistério. = Esta menina tem alguma coisa de mistério.  

Advérbio: 
Quando o “que” for advérbio, intensificará adjetivos e advérbios e poderá ser substituído por quão ou muito. Em geral, é usado em frases exclamativas.

 
Ex. Que linda é essa garota! = Quão linda é essa garota!

Que doido fui eu não aceitando aquela proposta! = Quão doido fui... 
Que longe fica sua casa! = Quão longe fica sua casa. 

Preposição: 
Quando o “que” funcionar como preposição, equivalerá à preposição de, sendo usado em locuções verbais que têm, como auxiliares, ter ou haver. 

 
Ex. Tenho que trazer meus documentos até amanhã. = Tenho de trazer meus documentos até amanhã. 

 
Interjeição: 
Quando o  “que” for interjeição, exprimirá emoção, estado de espírito e será sempre exclamativo e acentuado. Poderá ser substituído por outra interjeição. 

 
Ex. Quê! Jusperino suicidou-se? = Meu Deus! Jusperino suicidou-se? 

Quê! Você por aqui também? = Uai! Você por aqui também? 

Partícula Expletiva ou de Realce: 

Quando o “que” for partícula expletiva, será empregado para realçar ou enfatizar. Sua retirada não alterará o sentido da frase. Poderá também ser usado na locução expletiva é que. 

Ex. Por pouco que a gente não brigou com ele. = Por pouco a gente não brigou com ele. 
Nós é que trouxemos o material. = Nós trouxemos o material. 


Pronome 
a) Pronome Interrogativo

Quando o  “que” for pronome interrogativo, substituirá, nas frases interrogativas, o elemento sobre o qual se desejar resposta. 
 
Ex. Que você disse? = Você disse algo. 

Gostaria de saber que homem me procurou. = O homem procurou alguém. 
 
* Nota: É inadequado o uso da palavra "o", antes do pronome interrogativo que, ou seja, a língua culta não admite perguntas como  “O que você disse?”, apesar de ser expressão corrente em nosso país. 


b) Pronome Indefinido 

Quando o  “que” for pronome indefinido, aparecerá antes de substantivos em frases geralmente exclamativas e poderá ser substituído por quanto, quanta, quantos e quantas.
 
Ex. Que sujeira havia naquele quarto. = Quanta sujeira havia naquele quarto. 
Que miséria há no Brasil! = Quanta miséria há no Brasil! 


c) Pronome Adjetivo 

Quando o  “que” for pronome adjetivo, aparecerá antes de substantivo, apenas modificando-o. Não o confunda com o pronome indefinido. 
 
Ex. Que mulher linda aquela! (Perceba que não há a possibilidade de substituí-lo por quanto, quanta, quantos ou quantas; ele apenas modifica o substantivo, a fim de tornar a frase exclamativa. Por isso mesmo, é também denominado de pronome exclamativo.) 

d) Pronome Relativo 

Quando o “que” for pronome relativo, aparecerá após o substantivo substituído por ele e poderá ser substituído por o  qual,  a qual,  os quais,  as quais. 
 
Ex. Achei muito bela a garota que você me apresentou. = Achei muito bela a garota a qual você me apresentou.


Como Conjunção:

Conjunção Coordenativa 
 
a) Conjunção Coordenativa Aditiva 

Quando o  “que” for conjunção coordenativa aditiva, iniciará oração coordenada sindética aditiva, aparecerá sempre entre duas formas verbais iguais e terá valor bastante próximo da conjunção e. 
 
Ex. Falava que falava, mas não convencia ninguém.

Bebia que bebia, ignorando o risco que corria.

b) Conjunção Coordenativa Explicativa 

Quando o  “que” for conjunção coordenativa explicativa, iniciará oração coordenada sindética explicativa e poderá ser substituída por  pois ou  porque, que também são conjunções coordenativas explicativas. 
  
Ex. Venha até aqui, que preciso falar-lhe. = Venha até aqui, pois preciso falar-lhe.


c) Conjunção Coordenativa Adversativa 

Quando o  “que” for conjunção coordenativa adversativa, iniciará oração coordenada sindética adversativa, indicará oposição, ressalva e apresentará valor equivalente a mas. 
 
Ex. Outra pessoa, que não eu, deveria cumprir essa  tarefa. = Outra pessoa, mas não eu...


d) Conjunção Subordinativa


a) Conjunção Subordinativa Integrante. 
Quando o  “que” for conjunção subordinativa integrante, iniciará oração que exerce função de sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, predicativo do sujeito e aposto não iniciado por pronome relativo. A oração iniciada pela conjunção integrante será chamada de oração subordinada substantiva. 
 
Ex. Acho  que você está equivocado. (A oração “que você está equivocado” funciona como objeto direto do verbo achar, denominada oração subordinada substantiva objetiva direta)

 
Ela só pensa em uma coisa: que seu filho seja aprovado. (A oração “que seu filho seja aprovado” funciona como aposto, denominada oração subordinada substantiva apositiva)


b) Conjunção Subordinativa Consecutiva 

Quando o “que” for conjunção subordinativa consecutiva, iniciará oração subordinada adverbial consecutiva e aparecerá, em geral, nas expressões  tão... que,  tanto... que, tamanho... que e tal... que. 
 
Ex. Ele gritou tanto que ficou rouco. = A consequência de ele ter gritado muito foi ter ficado rouco. 


c) Conjunção subordinativa Comparativa

Quando o “que” fora conjunção subordinativa comparativa, iniciará oração subordinada adverbial comparativa e aparecerá nas expressões mais... que, menos... que. 
 
Ex. Ele é mais inteligente que o irmão. 



quinta-feira, 14 de abril de 2016

O BLOG DE REDAÇÃO ESTÁ DE CARA NOVA!

Seja bem-vindo a O Blog de Redação. De layout novo, para tornar sua leitura mais leve e fluida, esperamos que todos gostem!

Abraço e sucesso!

segunda-feira, 4 de abril de 2016

REDAÇÃO & LEITURA

Redação identifica quem sabe ler

Por Paulo César Bacelar Pinheiro*

Especial para a Folha
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A prova de redação da Unicamp é uma das mais famosas. Tormento para muitos, boa oportunidade de sucesso para quem mantiver a calma e seguir corretamente as orientações que a própria instituição fornece no manual do candidato.

A prova apresenta diferentes opções de temas e de modalidades textuais, por isso escolher bem a proposta que vai desenvolver já é um bom começo.

Em comum, todas as propostas trazem uma coletânea de textos, que deve ser utilizada pelo candidato durante a realização da prova. As coletâneas não estão lá apenas para enfeitar, elas são um recurso fundamental para que os objetivos da avaliação sejam efetivamente atingidos.

Além da capacidade de expressão escrita, a prova de redação pretende identificar aquele aluno que sabe ler criticamente, que é capaz de interpretar dados e fatos e de construir, a partir deles, um texto claro, coeso e coerente.

Desse modo, é essencial o manuseio do conteúdo dos textos constantes das coletâneas, desprezá-los significa anulação de sua redação.

Os critérios de avaliação não apresentam novidade, mas nem por isso devem ser desprezados. Parta do princípio de que seu texto é resposta a uma questão específica, essa questão é a proposta temática apresentada.

Assim, na produção de seu trabalho, para que ele atinja o máximo de correção possível, escreva à luz dos critérios pelos quais a avaliação será encaminhada.

A Unicamp não faz mistério quanto a esses critérios. Em primeiro lugar, exige adequação ao tema que foi proposto e ao tipo de texto solicitado.
Fuga do tema e do tipo de texto requerido -por exemplo: desenvolver uma narrativa quando o pedido foi uma dissertação- significa anulação de sua redação.

Outro critério fundamental é a utilização da coletânea de textos que acompanha cada proposta. Os textos escolhidos servem para verificar a capacidade do vestibulando de identificar e tirar proveito do que for importante para sua argumentação.

Atenção: jamais transcreva ou despreze os textos. Isso é considerado falta grave e também implica anulação da redação.

Articule os argumentos com coerência, deixe bem evidentes o início, o meio e o fim de sua produção. Com sensatez combine argumentos que concorram para a defesa de um ponto de vista.

Organize o conteúdo de seu texto de forma coesa, preste bastante atenção aos pronomes e às conjunções que emprega. Observe se esses elementos estão, de fato, traduzindo o tipo de relação que você estabelecer entres as frases.

O bom senso exige que a linguagem seja adequada à modalidade de texto que estiver desenvolvendo. Dissertação não é seara para coloquialismos nem para marcas de oralidade. Por outro lado, numa narrativa, na fala de uma personagem, desde que o contexto peça, tal tipo de linguagem é aceitável.

Na dissertação, opte pela linguagem formal, denotativa, objetiva e sem aqueles artifícios alegóricos que apenas tornam o texto pomposo e cansativo. Faça-se comunicar com clareza e exatidão.

Para finalizar, dois lembretes e uma receita.


  • Primeiro: não se esconda atrás da manjada desculpa da falta de inspiração. Escrever é ato intelectual, não é emocional, por isso exige conhecimento e raciocínio, é um exercício objetivo da razão.
  • Segundo: os temas de redação usualmente propostos em vestibulares estão diretamente relacionados à vida atual. Tenha certeza de que os livros, jornais e revistas que você leu ultimamente serão úteis para a fundamentação de suas idéias.
  • A receita: considere todos os ingredientes para um bom texto já citados, adicione as técnicas de redação já aprendidas, mas não esqueça de temperar todos eles com seu toque individual.

    O modo de preparar consiste apenas em colocar as estratégias estudadas a serviço de seu ponto de vista e em evitar seguir, como um autômato, receitas de textos prontas, daquelas adquiridas nas prateleiras de algum cursinho.

    Defenda consciente, correta e objetivamente uma opinião sua. O resultado final será bem mais saboroso!
Por Paulo César Bacelar Pinheiro*

sábado, 12 de março de 2016

ARTIGO: A MÁSCARA DA GRANDE MÍDIA

A MÁSCARA DA GRANDE MÍDIA

Ninguém desconhece o fato de que os meios de comunicação são empresas. São geridos como negócio e, como tal, eles sobrevivem no mercado de trabalho e nas bolsas de valores. Muitos donos, no Brasil, a despeito do artigo 54 da CF, são políticos, ou laranja de políticos, ou apadrinhado de políticos. Outros tantos, os velhos e conhecidos coronéis de outrora, numa roupagem moderna de “empresário da informação”, mas com a mesma sanha de dinheiro e poder!
Um incauto da área poderia, então, perguntar-se se a mídia tem lado. Com a resposta, Paul Starr (Professor de sociologia da Universidade de Princeton e ganhador do Prêmio Pulitzer, em sua obra ‘The Creation of the Media’): “Os meios de comunicação mantêm uma relação tão direta com o exercício do poder que se torna impossível entender seu desenvolvimento sem que se leve em muita consideração a Política, não simplesmente com relação ao uso que se faz da mídia, mas também no que se refere às escolhas constitutivas que se realizam sobre os meios de comunicação".
De acordo com isso, fica-se um pouco tautológico averiguar ao espetáculo midiático que se assiste nos dias hodiernos: varre-se para debaixo do tapete o que lhe convém; escancara-se massiva e enfaticamente o que não!
Semelhante a uma matéria recente de uma rede de Tevê retransmissora regional, que mostrava a precariedade de uma grande estação de ônibus da capital. Filmava o asfalto esburacado, as pingueiras, as escadas deterioradas, o teto desabando etc. E eu cá com meus botões: “Será que se redimiu? Ficou imparcial?” Qual não foi a minha surpresa ao assistir a sequência da reportagem, com o prefeito-herói entrando na referida estação, com capacete de peão de obra e tudo, dizendo que ia fazer e acontecer por ali... Um detalhe não nos escapa: o maravilhoso alcaide é da família dona da tevê!
Assim, por que somente os petralhas aloprados são os únicos que vão presos nas intermináveis fases da Lava Jato? Por que somente os governistas vão parar atrás do xilindró? Por que a mídia hegemônica só espetaculariza contra o governo, contra o PT, contra os partidos da base aliada, sendo que existem opositores comprovadamente envolvidos, de outrora e da atualidade? A resposta é com Noam Chowski: “O propósito da mídia não é informar o que acontece, mas sim de moldar a opinião pública de acordo com a vontade do poder corporativo dominante”.
Daí, para a mídia-empresa, pensar no individual é acerto, pensar no coletivo, é erro! Para a mídia-empresa, mercado aberto e estado mínimo é certeza de lucro e crescimento! Para a mídia-empresa, imposto quem tem que pagar é classe trabalhadora e não os ricos! Para a mídia-empresa, quanto mais liberal ou neoliberal, melhor! Enfim, para a mídia-empresa, seus iguais são os velhos senhores da Casa Grande!
Por isso e muito mais, as grandes corporações midiáticas no Brasil e no mundo sempre se aliaram a governos direitistas – eternos donos do comando! –, governos que defendem as mesmas posturas morais que elas, cuja ideologia capital-financeira está tão vigente, tão intrínseca nos dias coetâneos, que tudo que se mostre contrário a isso é emburrecedor, é odiado. Estamos vivendo uma nova fase do comunismo que come criancinhas: é o bolivarianismo de merda dos países fracassados sulamericanos!
Lugar de corrupto é na cadeia! Seja ele petralha ou coxinha! Seja ele neoliberal ou bolivariano! Seja ele culto ou analfabeto! Averigue-se todos os envolvidos, intime-se todos os culpados, prenda-se todos os comprovados com o ilícito, de ontem e de hoje! Imparcialidade é o que merecemos e o que desejamos nesse mar de asneiras e de lado podre a que estamos vendo nessa mídia-lixo, vendida e ideologicamente partidarista!
Que nós possamos ter o bom senso que boa parte dos meios de informação brasileiros relegou a segundo plano; que consigamos enxergar o mal pela raiz e cobrar mudanças como cidadãos pagadores de impostos, honestos e torcedores de um país mais equânime; que vençamos essa crise de valores; que façamos um panelaço real contra essa hegemonia videofinanceira alienante e obsoleta!

(Gustavo Atallah Haun – Professor, formado em Letras (UESC), editor de oblogderedacao.blogspot.com.br. Escreve para jornais de Itabuna e Ilhéus, na Bahia. Publicado no Diário de Ilhéus, de 01 de março de 2016; e no Diário Bahia, de 08 de março de 2016)

quarta-feira, 2 de março de 2016

SAIBA FAZER O DESENVOLVIMENTO DO TEXTO

Desenvolvimento insuficiente prejudica redação

Thaís Nicoleti Camargo - Especial para a Folha de S. Paulo
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Atualizado em 10/08 às 11h55.
Folha de S.Paulo
O estudante faz uma leitura superficial dos fatos. Talvez seja esse o principal problema do texto. No parágrafo introdutório, no qual caberia a tese a ser defendida, está apenas a constatação de que a população brasileira está muito confusa diante das atitudes eticamente condenáveis perpetradas pelos governantes.

O desenvolvimento dessa ideia revela certo simplismo. É verdade que, mais uma vez, o dinheiro do povo está sendo desviado de seus objetivos e que os problemas crônicos do país- saúde, educação, desemprego e violência- continuam negligenciados. Ocorre, entretanto, que talvez não seja esse o foco da questão.

Estamos diante de uma situação complexa. O grupo que ora se encontra no poder simbolizava a esperança de renovação e, sobretudo, de compromisso com os anseios do povo. A frustração imensa que acomete as pessoas vem do sentimento de traição da confiança. Além disso, não se trata agora simplesmente de indivíduos que se aproveitam do poder para assaltar o erário e encher os próprios bolsos. Estamos diante da revelação de práticas absolutamente desrespeitosas à ética, como a compra de votos, que vem sendo chamada de "mensalão".
Se, por um lado, o conhecimento dos fatos nos faz desacreditar ainda mais da classe política, por outro- e isso talvez nos sirva de alento-, é ele que nos pode conduzir à construção de novos caminhos. Essa é a discussão contida na proposta de redação.
É importante que o redator assuma uma posição, seja qual for, e a defenda. O debate de ideias, bem como a proposição de hipóteses e ponderações, enriquece o texto dissertativo. A mera constatação dos fatos é insuficiente.
Ao dissertar, é preciso emitir opiniões e validá-las por meio de argumentos. É a capacidade de organizar um raciocínio que é valorizada na redação.
Convém deixar claro que uma opinião é um pensamento construído. Só temos opinião sobre aquilo que é objeto de nossa reflexão. É preciso que nós nos convençamos das ideias que pretendemos expor aos outros, O texto aqui comentado não se desenvolve porque o autor não se propõe posicionamentos nem reflexão. É preciso buscar os pontos problemáticos do tema, aqueles capazes de suscitar a polêmica. Ao problematizar o tema, as ideias surgem. Depois, o trabalho é selecioná-las e hierarquizá-las.
A linguagem, por sua vez, deve abandonar o tom informal e, com o máximo de precisão e correção gramatical, contribuir para a articulação das ideias.
Thaís Nicoleti Camargo - Especial para a Folha de S. Paulo