domingo, 15 de março de 2015

PERSISTIR, SEMPRE!

14/01/2015 19h53 - Atualizado em 14/01/2015 20h20
Jovem nota mil na redação do Enem tenta há 4 anos entrar em medicina
'Tem que ter autoconfiança', aconselha Lucas Santos Barbosa, de 20 anos. Antes da nota máxima, estudante havia sido reprovado em 10 vestibulares.

Do G1 AL

Estudante prestou 11 vestibulares até conseguir nota máxima na redação
(Foto: Larissa Vasconcelos/G1)

Após prestar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) pela quarta vez, o estudante de Maceió Lucas Santos Barbosa, 20, resolveu se preparar intensamente para a redação e conseguiu ser um dos 250 candidatos que atingiu a nota máxima de 1.000 pontos. O estudante afirma que conhecer bem as exigências do Enem, ter autoconfiança e escrever bastante foram os diferenciais para atingir a nota máxima.
"Tem que ter autoconfiança. No ano passado, eu coloquei dentro de mim que iria passar e estou esperando ser aprovado na Ufal [Universidade Federal de Alagoas]", afirmou o estudante, que foi reprovado em 10 vestibulares em busca do sonho de cursar medicina até conseguir nota máxima este ano.
Barbosa conta que ler, escrever muito e estudar sobre diversos temas o ajudaram a progredir nas notas dos exames. Em 2011, ele tirou 680 pontos na redação; em 2012, 720; no ano seguinte, 780; até que no exame do ano passado ele alcançou a nota máxima, 1.000. "No último ano, eu passei a dar importância para a redação e estudei sobre as competências que o Enem exige, além disso, me dediquei bastante estudando os temas. Sempre que os professores passavam um tema novo, eu estudava muito sobre aquele assunto para obter um conhecimento de mundo", disse.
 A rotina intensa de cursinho pré-vestibular, isoladas de química, física e redação, além de estudos diários de quatro horas foram fundamentais na preparação do estudante. "Ia para o cursinho pela manhã, voltava para casa para almoçar, depois ia para a isolada mais cedo e ficava estudando na biblioteca, só voltava para casa às 22h, quando ia dormir", contou ao ressaltar que não estudava durante a madrugada para não ter o desempenho prejudicado no dia seguinte.
Dentre as renúncias que Lucas teve que fazer ao longo do ano, como não ir a festas, a que mais marcou foi não assistir a todos os jogos da Copa do Mundo. "O mais difícil para mim foi não assistir ao jogo que quisesse, tive que escolher poucos", relatou.
O estudante investiu na estratégia de responder a redação primeiro para garantir uma nota melhor. Além disso, para ele, mostrar domínio de conhecimentos gerais foi peça chave para a obtenção da nota máxima.
"Fiz o rascunho da redação, depois as questões que eu sabia da prova de matemática e pulei as mais difíceis. Depois voltei para a redação para passar a limpo, e por último acabei as questões que faltavam. No meu texto, eu procurei fazer diferente, mostrei um conhecimento de mundo e fugi da linha de raciocínio tradicional, procurei falar do desenvolvimento sustentável decorrente do consumo para chegar na publicidade infantil", contou.
Para quem vai prestar o exame nos próximos anos, Barbosa indica que é fundamental ir fazer a prova à vontade e estar tranquilo. "No dia anterior à prova, evitei emoções e tive muita autoconfiança. Fui prestar o exame de bermuda, de uma forma que me deixasse bem tranquilo", disse.


Lucas Barbosa dá dicas para quem vai prestar Enem nos próximos anos (Foto: Larissa Vasconcelos/G1)

Ainda segundo ele, é fundamental o candidato se dedicar desde o início do ensino médio. "Aconselho que desde a 1º série do ensino médio o estudante deve se preparar para o vestibular entrando em [cursos de matérias] isoladas. Se eu tivesse me dedicado antes, provavelmente já teria sido aprovado no vestibular, mas adolescente não pensa muito, no momento eu só pensava em curtir", disse.
"Sempre tirei notas boas na época do colégio, mas nunca fui aquele aluno destaque, ia empurrando os estudos com a barriga. Tinha feito dois anos anos de cursinho até que 'caiu a ficha' que o tempo estava passando. Então, no ano passado, no meu terceiro ano de cursinho, eu 'acordei' e percebi que tinha que focar", admitiu.


sábado, 7 de março de 2015

A TÃO SONHADA NOTA MÁXIMA!

14/01/2015 20h49 - Atualizado em 14/01/2015 20h50
Estudantes do Rio comemoram nota máxima na redação do Enem
'Acho que vai fazer a diferença e abrir muitas portas', festeja Paula. Namoro só duas vezes por semana foi decisivo para estudante, diz pai.

Káthia MelloDo G1 Rio


Paula Freire e seu namorado Davi: disciplina ajudou a estudante (Foto: Káthia Mello/G1)

Treinamento e dedicação são as dicas da estudante carioca Paula Freire, de 19 anos, para conquistar a nota 1.000 na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Ao G1, ela contou que chorou muito quando soube que estava entre 250 estudantes de todo o país a conseguir a nota máxima.
"Eu fiz muita redação porque sei que quem treina mais sempre escreve melhor. Fazia e pedia para os professores corrigirem os erros", contou.
Paula acredita que o sucesso na redação vai ajudá-la a entrar no desejado curso de medicina em uma das universidades públicas do Rio. "Acho que vai fazer a diferença e abrir muitas portas", disse.


Paula alcançou nota 1.000 em redação (Foto: Arquivo Pessoal)

Em seu segundo Enem, a estudante diz que se dedicou aos estudos durante o ano mas não abriu mão das horas de lazer para "não estressar". Agora, só pensa em descansar e comemorar.
Filha única, conta que gostava de estudar sozinha em casa. O local preferido era a sala, onde tinha mais espaço. "Só ia para o meu quarto quando meu pai chegava do trabalho porque ele é o mais 'barulhento' da família", disse.

Em casa, a estudante relaxa na companhia dos
pais (Foto: Kathia Mello/G1)
Namoro duas vezes por semana
Bem humorado e feliz, o pai, Paulo Sérgio Freire, revelou o que foi decisivo na conquista da filha. Davi Basílio, de 21 anos, namorado de Paula há quase dois anos, só conseguia ver a moça duas vezes por semana. "Ele vinha estudar com ela às quartas-feiras. Eu acho que era 'armação', mas acho que ajudou muito porque relaxava e tirava o estresse dela", contou Paulo Sérgio.
A estudante acabou de chegar de uma viagem à Bolívia onde participou de um evento voluntário de assistência social com crianças e adultos. A viagem já faz parte do sonho de ser médica da jovem, que contribuiu para o projeto Médicos sem Fronteiras.

"Eu fiz muita redação porque sei que quem treina mais sempre escreve melhor. Fazia e pedia para os professores corrigirem os erros"
Paula Freire

A inspiração para estudar medicina veio da mãe, Nancy Freire, enfermeira. "Desde os 8 anos ela ia comigo para o trabalho e sempre foi curiosa e gostava brincar de médico e receitar", contou.

Outros nota 1.000 
Outros dois estudantes do Rio, que também conquistaram nota máxima na redação, já tinham partcipado do exame. João Pedro Maciel Schlaepfer, de 19 anos, decidiu fazer o Enem pela terceira vez para mudar de carreira. Cursa geografia desde o ano passado, mas quer fazer letras. A nota 1.000 foi uma grande supresa.
"Há dois anos que não fazia redação e nem me exercitei muito. Quando vi o tema fiquei com preguiça na hora e decidi usar as técnicas que já tinha aprendido", explicou João, que quer cursar letras na Pontifícia Universidade Católica (PUC) por ser a única faculdade que oferece a formação de escritor.


Maria Eduarda e João Pedro também tiraram nota 1.000 na redação do Enem 2014
(Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)

Para Maria Eduarda de Aquino Correa Ilha, de 18 anos, a nota máxima em redação é resultado da sua persistência em fazer direito, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Maria Eduarda disse que decidiu investir em um curso preparatório e na técnica passada pelos professores para alcançar o seu objetivo.

A estudante confessou que acreditava em uma boa nota desde o dia da prova já que os professores avaliaram o rascunho da redação e deram nota 1.000. "Só fiquei desanimada quando vi que muita gente tinha tirado nota zero. Agora, estou muito feliz", revelou.

O objetivo dela é esperar a primeira chamada do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) no dia 26 de janeiro e comemorar. "Será um dia depois do meu aniversário. Vai dar tudo certo porque o principal presente eu já ganhei."

O resultado do Enem 2014 foi divulgado nesta terça-feira (13) pelo Ministério da Educação. Mais de 529 mil tiraram nota zero na redação e foram eliminados do exame.

sábado, 17 de janeiro de 2015

REDAÇÕES 1000 DO ENEM 2014!

Enem 2014: leia exemplos redação nota 1000
Pelo menos dois estudantes cariocas estão entre as 250 notas máximas sobre o tema 'Publicidade infantil em questão no Brasil'
POR LAURO NETO
14/01/2015 13:23 / ATUALIZADO 15/01/2015 10:49

Reprodução
RIO - Entre 5,9 milhões de redações corrigidas no Enem 2014, apenas 250 tiraram nota 1000. Nesse seleto grupo, pelo menos dois estudantes são cariocas: Carlos Eduardo Lopes Marciano, de 19 anos, e Maria Eduarda de Aquino Correa Ilha, de 18. Ambos fizeram o exame pela segunda vez, apesar de já terem sidos aprovados para a UFRJ com as notas do Enem 2013. Os dois enviaram ao GLOBO os comprovantes de suas notas e os rascunhos de seus textos, transcritos ao fim desta reportagem.
Aluno do 2º período de Engenharia Elétrica na UFRJ, Carlos Eduardo fez o Enem no ano passado para o caso de querer trocar sua habilitação para Engenharia Química ou da Computação. Em 2013, ele havia tirado 960 na redação. Na edição de 2014, tirou a nota máxima, sem estudar.
- Sempre tive o dom de escrever. Escrevia poemas e outros textos e gostava de redação argumentativa. Só estudei no Notre-Dame de Ipanema e tive uma professora muito boa de redação, chamada Marilene Tinoco, que me ajudou muito - conta o estudante, que chegou a cursar o primeiro semestre de Direito na Uerj no ano passado, mas não gostou do curso.
Maria Eduarda, que já havia passado pelo Enem 2013 para o curso de Direito na UFRJ, no turno da noite, fez o exame de novo para garantir uma vaga no período integral (matutino e vespertino).
- Em 2013, tirei 840 na redação. Passei para o noturno da UFRJ e na UFF, mas resolvi tentar de novo. Tenho várias amigas que passaram para esse turno e é muito complicado mudar. Conversei com meus pais, resolvi tentar de novo e deu certo. Estudei no Liceu Franco-Brasileiro, mas fiz cursinho _A_Z, a cujos professores e monitores devo 80% da minha nota. Brinco que aprendia a escrever lá.

Redação de Carlos Eduardo Lopes Marciano

O verdadeiro preço de um brinquedo
É comum vermos comerciais direcionados ao público infantil. Com a existência de personagens famosos, músicas para crianças e parques temáticos, a indústria de produtos destinados a essa faixa etária cresce de forma nunca vista antes. No entanto, tendo em vista a idade desse público, surge a pergunta: as crianças estariam preparadas para o bombardeio de consumo que as propagandas veiculam?
Há quem duvide da capacidade de convencimento dos meios de comunicação. No entanto, tais artifícios já foram responsáveis por mudar o curso da História. A imprensa, no século XVIII, disseminou as ideias iluministas e foi uma das causas da queda do absolutismo. Mas não é preciso ir tão longe: no Brasil redemocratizado, as propagandas políticas e os debates eleitorais são capazes de definir o resultado de eleições. É impossível negar o impacto provocado por um anúncio ou uma retórica bem estruturada.
O problema surge quando tal discurso é direcionado ao público infantil. Comerciais para essa faixa etária seguem um certo padrão: enfeitados por músicas temáticas, as cenas mostram crianças, em grupo, utilizando o produto em questão.Tal manobra de “marketing” acaba transmitindo a mensagem de que a aceitação em seu grupo de amigos está condicionada ao fato dela possuir ou não os mesmos brinquedos que seus colegas. Uma estratégia como essa gera um ciclo interminável de consumo que abusa da pouca capacidade de discernimento infantil.
Fica clara, portanto, a necessidade de uma ampliação da legislação atual a fim de limitar, como já acontece em países como Canadá e Noruega, a propaganda para esse público, visando à proibição de técnicas abusivas e inadequadas. Além disso, é preciso focar na conscientização dessa faixa etária em escolas, com professores que abordem esse assunto de forma compreensível e responsável. Só assim construiremos um sistema que, ao mesmo tempo, consiga vender seus produtos sem obter vantagem abusiva da ingenuidade infantil.
Redação de Maria Eduarda de Aquino Correa Ilha
Consumidores do futuro
De acordo com o movimento romântico literário do século XIX, a criança era um ser puro. As tendências do Romantismo influenciavam a temática poética brasileira através da idealização da infância. Indo de encontro a essa visão, a sociedade contemporânea, cada vez mais, erradica a pureza dos infantes através da influência cultural consumista presente no cotidiano. Nesse contexto, é preciso admitir que a alegação de uma sociedade conscientizada se tornou uma maneira hipócrita de esconder os descaso em relação aos efeitos da publicidade infantil no país.
Em primeiro plano, deve-se notar que o contexto brasileiro contemporâneo é baseado na lógica capitalista de busca por lucros e de incentivo ao consumo. Esse comportamento ganancioso da iniciativa privada é incentivado pelos meios de comunicação, que buscam influenciar as crianças de maneira apelativa no seu dia-a-dia. Além disso, a ausência de leis nacionais acerca dos anúncios infantis acaba por proporcionar um âmbito descontrolado e propício para o consumo. Desse modo, a má atuação do governo em relação à publicidade infantil resulta em um domínio das influências consumistas sobre a geração de infantes no Brasil.
Por trás dessa lógica existe algo mais grave: a postura passiva dos principais formadores de consciência da população. O contexto brasileiro se caracteriza pela falta de preocupação moral nas instituições de ensino, que focam sua atuação no conteúdo escolar em vez de preparar a geração infantil com um método conscientizador e engajado. Ademais, a família brasileira pouco se preocupa em controlar o fluxo de informações consumistas disponíveis na televisão e internet. Nesse sentido, o despreparo das crianças em relação ao consumo consciente e às suas responsabilidades as tornam alvos fáceis para as aquisições necessárias impostas pelos anúncios publicitários.
Torna-se evidente, portanto, que a questão da publicidade infantil exige medidas concretas, e não um belo discurso. É imperioso, nesse sentido, uma postura ativa do governo em relação à regulamentação da propaganda infantil, através da criação de leis de combate aos comerciais apelativos para as crianças. Além disso, o Estado deve estimular campanhas de alerta para o consumo moderado. Porém, uma transformação completa deve passar pelo sistema educacional, que em conjunto com o âmbito familiar pode realizar campanhas de conscientização por meio de aulas sobre ética e moral. Quem sabe, dessa forma, a sociedade possa tornar a geração infantil uma consumidora consciente do futuro, sem perder a pureza proposta pelo Movimento Romântico.
Também tirou nota 1000 na redação e tem o rascunho dela? Envie seu texto para sociedade@oglobo.com.br com o comprovante das notas


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quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

RESULTADOS DO ENEM

13/01/2015 15h43 - Atualizado em 13/01/2015 22h46

529 mil alunos ficaram com nota zero na redação do Enem 2014, diz MEC

Índice representa 8,5% dos candidatos participantes. 
Nota de cada um dos 6,1 milhões de estudantes saiu nesta terça.

Lucas SalomãoDo G1, em BrasíliaK
O presidente do Inep, Francisco Soares, o ministro da Educação, Cid Gomes, e o secretário do MEC, Luiz Cláudio Costa (Foto: Reprodução/NBR TV)O presidente do Inep, Francisco Soares, o ministro da Educação, Cid Gomes, e o secretário do MEC, Luiz Cláudio Costa em coletiva sobre o Enem (Foto: Reprodução/NBR TV)
O Ministério da Educação divulgou na tarde desta terça-feira (13) o balanço final da edição de 2014 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Segundo a pasta, prestaram o exame 6.193.565 candidatos (71% do total de 8.721.946 inscritos).
Entre os alunos participantes, 529.374 obtiveram nota zero na redação da prova (8,5% dos candidatos). Deste número, foram anuladas 248.471 redações. O MEC informou ainda que 250 candidatos tiveram nota mil na redação – a máxima possível. Além disso, pouco mais de 35 mil alunos obtiveram notas entre 901 e 999.
As notas de cada um dos 6.193.565 participantes do Enem foram divulgadas na noite desta terça, segundo o ministério. O candidato pode acessar sua nota no site sistemasenem2.inep.gov.br/resultadosenem. Basta inserir o número de inscrição do Enem, CPF e senha de acesso. Em caso de dúvidas, o candidato pode ligar para o telefone de auxílio do Enem: 0800 61 61 61.
Queda na média
Ainda segundo o MEC, a média das notas em redação teve uma queda de 9,7% em relação ao Enem de 2013 entre os alunos que estão concluindo o ensino médio. Em matemática, a queda foi de 7,3% em relação ao exame anterior.

Sobre a queda nas médias das notas de matemática e redação em relação ao ano passado, o ministro da Educação, Cid Gomes, afirmou que não considera que seja algo "tão significativo".
"A minha opinião é de que houve uma queda em matemática e redação. Uma queda superior à margem, não diria uma queda significativa, mas uma queda que deve estimular a comunidade acadêmica a analisar as razões para isso. Um ano no Ensino Médio brasileiro não há variações tão significativas" afirmou o ministro.
Segundo Cid Gomes, o tema da redação deste ano (publicidade infantil) não foi tão debatido pela mídia e pela sociedade brasileira quanto o tema de 2013 (lei seca).
"Eu arriscaria uma tese: o tema de 2013 foi a lei seca. Essa questão foi muito debatida, muito discutida. O tema agora, publicidade infantil, não é um tema que houve um processo de discussão tão grande", analisou. Questionado sobre se considera o tema deste ano mais difícil, Gomes respondeu: "Eu não diria difícil, é relativo."
Balanço das redações do Enem (Foto: Reprodução/Inep)Balanço das redações do Enem (Foto: Reprodução/Inep)
Segundo o ministério, os motivos para que as redações fossem anuladas são: fuga ao tema, cópia do texto motivador, texto insuficiente, não atendimento ao tipo textual indicado, partes desconectadas, textos que "ferem" os direitos humanos, e outros motivos não divulgados.
O exame foi realizado nos dias 8 e 9 de novembro de 2014. Cada um dos mais de 6,3 milhões de candidatos poderá ver a nota que tirou nas provas objetivas (ciências humanas, ciências da natureza, linguagens e matemática), além da prova de redação.
Teoria de Resposta ao Ítem aponta quando aluno acerta questão por acaso (Foto: Reprodução/TV Globo)
Teoria de Resposta ao Ítem aponta quando aluno
acerta questão por acaso (Foto: Reprodução/
TV Globo)
Metodologia
A nota das provas objetivas usa a metodologia da Teoria da Resposta ao Ítem (TRI). Uma das principais dúvidas sobre a TRI é o fato de que é impossível o aluno tirar nota 1.000 na prova de múltipla escolha (na redação, isso é possível).

Nessa metodologia, mesmo que o aluno acerte todas as 45 questões de cada prova, sua nota nunca será 1.000. Da mesma forma, um candidato que erre todas as questões não acaba com a nota zero (ou, no caso do Enem, a pontuação mínima, que é 200 pontos).
Isso acontece porque o exame dá pontos aos candidatos de acordo com uma escala. Ou seja, a nota do candidato não se trata diretamente do seu desempenho individual, mas de como ele se saiu dentro do conjunto dos demais candidatos. Por exemplo, quanto mais próximo da nota máxima, mais certeza é possível ter de que o estudante domina os conhecimentos exigidos na prova.
Proficiência nas quatro provas objetivas do Enem (Foto: Reprodução/Inep)Proficiência nas quatro provas objetivas do Enem (Foto: Reprodução/Inep)
Nota da redação
O tema da redação do Enem 2014 foi "Publicidade infantil no Brasil". A nota de redação vai de 0 a 1.000 pontos. Um bom texto para ganhar nota 1.000 deve cumprir bem cinco competências exigidas pela redação do Enem. Cada competência tem cinco faixas que vão de 0 a 200 pontos.

Competência 1: Demonstrar domínio da norma padrão da língua escrita.

Competência 2: Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo.
Competência 3: Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista.
Competência 4: Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários à construção da argumentação.
Competência 5: Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.

Treine para fazer uma boa redação no Enem (Foto: Reprodução/TV Globo)
Tema da redação foi publicidade infantil
(Foto: Reprodução/TV Globo)
Cada redação do Enem foi corrigida por dois corretores de forma independente. A nota total de cada corretor corresponde à soma das notas atribuídas a cada uma das cinco competências.
Se houvesse discrepância entre as notas dos dois corretores por mais de 100 pontos, ou se a diferença de suas notas em qualquer uma das competências fosse superior a 80 pontos, a redação iria para um terceiro corretor.
Caso houvesse discrepância entre o terceiro corretor e os outros dois corretores, ou caso houvesse discrepância entre o terceiro corretor e apenas um dos corretores, a nota final seria a média aritmética entre as duas notas totais que mais se aproximaram.
Se a nota do terceiro corretor tivesse diferença equidistante das notas dos outros dois corretores, ou se fosse completamente diferente, a redação seria avaliada por uma banca de três avaliadores para escolha da nota definitiva.
Com a pontuação em mãos, os candidatos poderão concorrer às 205.514 vagas em 5.631 cursos de 128 instituições públicas de educação superior na primeira edição de 2015 do Sistema de Seleção Unificada (Sisu).

A consulta às vagas já está disponível e as inscrições serão abertas no dia 19 no site sisu.mec.gov.br. O prazo de inscrições vai até às 23h59 do dia 22.
O Sisu seleciona alunos para vagas em instituições públicas de ensino superior a partir da nota do Enem. Para participar desta edição, o candidato tem de ter feito a edição 2014 do exame e não ter zerado na redação. O estudante poderá se inscrever em até duas opções de vaga.
Cotas
A Lei de Cotas (lei nº 12.711, de 29 de agosto de 2012) garante a reserva de 50% das vagas por curso e turno nas 63 universidades federais, nos 38 institutos federais de educação, ciência e tecnologia e nos 2 centros federais de educação tecnológica a estudantes que tenham cursado o ensino médio em escolas públicas.

Considerando todas as vagas (inclusive de universidades estaduais), o número destinado para esses alunos chega a 40% do total neste ano.
O resultado da primeira chamada regular será divulgado no dia 26 de janeiro.

ENEM: APENAS 250 TIRAM 1000!





© Wilton Junior/Estadão

O Ministério da Educação (MEC) informou durante coletiva de imprensa nesta terça-feira, 13, que apenas 250 candidatos, dos 6,19 milhões que fizeram o Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) de 2014, alcançaram 1.000 pontos, a nota máxima na prova, em redação. Por outro lado, 529 mil zeraram o teste de redação na última edição do exame. 
"O brasileiro está lendo pouco demais, os estudantes estão lendo pouco. O tema não é tão popular. Tudo isso dificulta. O ensino público brasileiro está muito aquém do desejado", disse o ministro da Educação, Cid Gomes, durante a coletiva de imprensa. 
Para ele, o tema deste ano não foi tão comentado quanto o do ano passado. "O tema de 2013 foi Lei Seca, essa questão foi muito debatida, muito discutida. O tema de agora não é um tema que se ouve. Não diria (um tema) mais difícil, isso é relativo, é, sem dúvida, um tema que não teve o grau de discussão nacional que aconteceu com o tema de 2013", observou o ministro.
Em sua conta no Twitter, o Ministério da Educação disse que quase 2,7 milhões de redações foram encaminhadas para um terceiro corretor e 283.746 foram para a banca. 
Rendimento. A nota média em matemática e redação dos alunos concluintes do ensino médio que fizeram o Enem caiu nesta última edição do exame. 
No Enem 2014, a média desses alunos na prova de matemática foi de 476,6 pontos, uma queda de 7,3% em relação ao desempenho dos alunos concluintes do ensino médio que fizeram o Enem 2013 - naquele exame, a média foi de 514,1 pontos. 
Em redação, também houve queda. A nota média da redação dos estudantes concluintes de ensino médio foi de 470,8 pontos em 2014, uma queda de 9,7% em relação a 2013, quando a nota foi de 521,1 pontos.